
No que vocês se basearam para fazer a curadoria de musica e arte do MCD Lab?
Takara – Eu me preocupei em chamar bandas e músicos que estejam fazendo um trabalho mais progressivos, gente atuante, mas de estilos variados ao mesmo tempo. Todos têm a característica de tocar seu estilo mas com vanguarda, de tocar pra frente, uma galera de tem uma visão de mistura mesmo, uma parada que tem a ver com a idéia do evento. E todos têm relação com outros tipos de arte. Achei que esse era um ponto legal de frisar.
Stephan – Eu escolhi artistas que não fossem tão conhecidos, que ainda não tivessem feito exposição individual, mais sangue novo mesmo. E me preocupei em chamar artistas que representassem as diferentes vertentes.
Falem um pouco dos artistas convidados.
Takara – Na parte de musica, tem desde uma parada mais rock, quase metal, que é o Elma, passando pelo rap do Mamelo Sound System e do Akin, até uns sons mais puxados para o eletrônico, mais experimentais, como o Guizado e Psilosamples. Tem ainda os DJs Mjp e Asma, que fazem um set de hip hop, mas bem eletrônico e com produções próprias, e o Victor Rice, que faz uma parada baseada em musica jamaicana mas de um jeito diferente.
Stephan – Eu convidei a Pacolli, que representa bem a cultura do do-it-yourself, é fanzineira de responsa e tem bastante influência da cultura indie. O Danielone representa o outro lado da parada do fanzine, mais punk, hardcore e trash. O Luciano Scherer é bem novo, tem 21 anos, segue mais a linha da pintura e está com um trabalho bem desenvolvido. O Renan Cruz e o Chivitz representam bem as ruas, os graffiti, mas também têm um bom trabalhão de artes plásticas. O Pingarilho é multiartista, faz filme, toca em banda, e lá vai fazer uma instalação com um trabalho bem gráfico. E o Whip vem do graffiti mas tem trabalhos em nankin e aguada, um lado dele que a galera não conhece muito.
O MCD Lab não é nem show, nem exposição, vai rolar numa casa e a idéia é que as pessoas passem um tempo por lá. O que acharam da proposta do evento?
Takara – A sensação é como se você fosse dar um rolê no ambiente em que esses artistas produzem. Na parte de música, os shows têm cara de ensaio, acontecem num lugar bem intimista. As exposições vão estar espelhadas pelos quartos, com a intenção de levar pra casa o ambiente de criação de cada artista. A estrutura da casa conta com um quintalzão, vai ser bem legal. A galera pode ficar tranqüila pra ver e ouvir vários tipos de criação, como se fosse passar a tarde na casa de alguém.
Stephan – A casa é gigante, fica de frente pra praça do Pôr do Sol, e a galera é convidada a interagir. A idéia é que as pessoas fiquem um tempo por lá, por isso vai ter workshop de serigrafia com o SHN e de dub com o Victor Rice. Às vezes, as pessoas que curtem som não curtem tanto arte, e vice e versa, então vai rolar essa troca.
[A 1ª edição do MCD Lab acontece de 17 a 23 de março na rua Desembargador Ferreira França, 368, Alto de Pinheiros, e tem entrada gratuita]
|